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segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

A sensibilidade: Pais de alunos PCDs reclamam do fechamento de classes especiais no DF


 A inclusão dos alunos com deficiência é um desafio para as escolas públicas no Distrito Federal. Com o fim da segregação, eles ganham acesso a melhores condições de desenvolvimento dentro de suas potencialidades e a comunidade escolar tem a chance de combater preconceitos e desenvolver um projeto pedagógico mais diverso e produtivo. No entanto, segundo famílias de estudantes, a Secretaria de Educação decidiu fechar classes especiais e transferir as crianças e adolescentes para outras turmas. Para pais e mães, a pasta distorceu o conceito de inclusão.

Junto com terapias, a classe especial mudou a vida de Arthur Oliveira Reis (foto em destaque), 8 anos. Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) com nível de suporte 3, o menino se jogava contra paredes, chegando ao ponto de precisar usar um protetor para não ferir a própria cabeça. Com as aulas, a autoflagelação e o capacete ficaram no passado.

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Estudante PNE - Metrópoles

Segundo a família, a Secretaria de Educação quer transferir a menina para uma turma de 4º ano, com alunos em outro estágio de aprendizado 

Estudante PNE - Metrópoles

Famílias denunciam o fechamento de classes especiais nas escolas públicas do DF. O pequeno Arthur é um dos alunos PNEs que serão transferidos BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Estudante PNE e pai - Metrópoles

Para o pai de Arthur, Marcelo, as aulas na classe especial foram determinantes para o desenvolvimento do menino BRENO ESAKI

Estudante PNE - Metrópoles

Segundo a família, a Secretaria de Educação quer promover uma falsa inclusão, ignorando laudos técnicos BRENO ESAKI

Estudante PNE - Metrópoles

Evandro não falava até começar a estudar nas salas especiais. As aulas foram determinantes para o menino começar a falar 

Estudante PNE - Metrópoles

O estudante apresentou superfoco em Inglês e começou a se comunicar com a língua estrangeira 

Estudante PNE - Metrópoles

Geovana ganhou independência durante as aulas na classe especial Material 

Estudante PNE - Metrópoles

A estudante PNE apresentou desenvolvimento expressivo na classe especial 

Estudante PNE - Metrópoles

Para a família, a estudante corre o risco de sofrer uma regressão no aprendizado 

Estudante PNE - Metrópoles

Ketlin Medeiros aprendeu a desenhar e a escrever o próprio nome nas salas especiais 

Estudante PNE - Metrópoles

Segundo a família, a Secretaria de Educação quer transferir a menina para uma turma de 4º ano, com alunos em outro estágio de aprendizado .

Segundo Marcelo, as aulas na classe especial na Escola Classe 2 do Paranoá são ministradas por uma professora especializada. A educadora faz regularmente cursos de atualização pedagógica. A educação não se limita ao espaço físico do colégio. Embora Arthur não fale, a profissional promove atividades para socializar o menino dentro e fora da unidade de ensino.

Inclusão forçada

“Querem promover a inclusão, mas, neste caso, é exclusão, pois é uma inclusão forçada. Meu filho faz a inclusão na classe especial: a professora leva Arthur para uma sala de aula com outras crianças neurotípicas ao comércio, ao parquinho e, aos poucos, adapta ele. Ela tenta adaptar a criança ao nosso mundo. Isso, sim, é inclusão”, explicou Marcelo.

Para Marcelo, o filho corre o risco de sofrer uma regressão. “Isso não é inclusão. Estão jogando as crianças em uma sala neurotípica. Isso não vai dar certo. A professora não fez curso para isso”, alertou. Além disso, segundo avaliação de um neuropediatra, Arthur deveria seguir na classe especial.

Nome

Ketlin Medeiros da Fonseca Lima, 12, tem epilepsia, é cadeirante, não fala e apresenta um quadro similar ao de paralisia cerebral. Até o final de 2023, o garoto estudava em uma classe especial na Escola Classe 1 do Paranoá. Para a mãe da criança, a autônoma Suzana Medeiros da Fonseca, 34, as aulas foram decisivas para o desenvolvimento da menina.

“Hoje, a Ketlin consegue escrever o nome dela legível. Ela identifica o nome dela, o meu nome e o nome de professor. A gente não tinha expectativa dela aprender. Não sabemos se ela realmente aprendeu a ler ou se decorou as letras, mas só dela identificar, para gente, é um avanço. Mostra que está evoluindo”, contou.

Palavras em Inglês

Evandro Luiz Severo Ferraz, 8, é diagnosticado com TEA suporte 2. Estudava na classe especial na Escola Classe 2 do Paranoá. “O Luiz era não-verbal, e começou a falar no ano passado, inclusive inglês. O superfoco dele é em Inglês. E começou a ler”, disse a mãe do garoto, Carla Lorraine Severo Ferraz, 31, auxiliar administrativa.

O menino ama animais, e a professora montou planejamento pedagógico interligado com os bichos. “Ele fala muito pouco português, mas fala bem Inglês. Ele me chama agora de mãe, mas a professora ele chama de teacher”.

Carla ficou indignada com os argumentos dos representantes da Secretaria de Educação quando anunciaram o fechamento da classe. “O que saiu da boca da pessoa é que iria doer até sangrar, mas que teríamos que tentar. Falaram que se ele não se adaptar volta para a classe especial. Ele vai regredir. Vai recomeçar do zero”, alegou.

A autônoma Gleice de Carvalho, 29 observa com amor e dedicação o desenvolvimento da filha Geovanna Soares Carvalho, 15, nas aulas da classe especial. A adolescente tem diagnóstico de deficiências mentais e é cadeirante e estudava no Centro de Ensino Fundamental 2 do Paranoá.

“Ela não falava com as pessoas e a professora ensinou ela a falar, melhorando o desenvolvimento motor e mental”, contou. Segundo Gleice, a jovem ganhou independência e passou a gostar de ir para a escola. Para a autônoma, o fechamento da classe especial é absurdo e fere o direito das crianças à educação. Por conta da situação, Gleice passou a sofrer com crises de ansiedade e choro, temendo pelo futuro da filha.

Pseudo inclusão

Na avaliação da mestre em Gestão de Políticas Públicas Educacionais pela Universidade de Brasília (UnB) Vânia Rego, o governo distorceu o conceito da inclusão. “Matricular, por si só, não é incluir. O GDF, além de descumprir a lei, maquia uma pseudo inclusão por meio da mera matrícula, que não atenderá às especificidades desse público”, afirmou.

O Artigo 59 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e Constituição Federal, no Artigo 208, assegura o atendimento dos alunos PNEs preferencialmente na rede regular. “Mas não somente. Haverá classes e escolas especiais”, completou a especialista.

Por  Metrópoles  

 

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