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sábado, 1 de julho de 2023

O grande glossário da acessibilidade e inclusão – o que dizer e o que não dizer


 Existem expressões e brincadeiras consideradas inofensivas que são usadas e feitas há tanto tempo que não se lembra como ou porquê surgiram. Mas muitas delas, ao invés de serem inofensivas de fato, apenas propagam e reforçam uma série de preconceitos, como o racismo, a lgbtquia+fobia e o capacitismo.      

Capacitismo é toda forma de preconceito e discriminação contra pessoas com deficiência, subestibando a capacidade da pessoa com base na sua deficiência. Segundo Ivan Baron, influenciador, pessoa com deficiência e escritor do livro Guia Anti Capacitista, existem três tipos de capacitismo: 

  • Capacitismo Médico: Se refere ao uso equivocado de palavras como “doença” e “doente” para se referir à deficiência ou à pessoa com deficiência.
  • Capacitismo Recreativo: Se refere àquelas brincadeiras de mau gosto envolvendo deficiências com o objetivo de “divertir as pessoas”. O tipo de capacitismo mais comum na sociedade.
  • Capacitismo Institucional: Se refere tanto à falta de acessibilidade nos ambientes quanto à contratação de pessoas com deficiência por organizações que só querem atingir a cota e não as tratam com equidade em relação aos colaboradores sem deficiência.

A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), além de garantir os direitos das pessoas com deficiência no Brasil, pune pessoas e organizações que desrespeitam e/ou agridem física, mental ou emocionalmente pessoas com deficiência. Mas, além de punição, é preciso que haja mudança de pensamento e de vocabulário.

Pensando nisso, a Sondery criou O grande glossário da acessibilidade e inclusão – o que dizer e o que não dizer, conteúdo que costumamos compartilhar em nossas palestras e treinamentos, para incentivar mais empresas e agências a utilizarem expressões adequadas não só no seu conteúdo externo como também internamente, em conversas e reuniões.

Glossário de termos de inclusão e acessibilidade

Não use estas palavrasUse estas palavras
AnãoPessoa com Nanismo
Anjo, Aleijado, AleijadinhoPessoa com deficiência
Braço curtoPessoa sem proatividade
Capenga[depende do contexto]
Cadeira elétricaCadeira motorizada
Criança especial , excepcionalCriança com deficiência intelectual
CeguinhoPessoa com deficiência visual, cego ou baixa visão (caso você tenha essa informação)
Dar uma de joão sem braçoPessoa sem proatividade
Dar uma mancada[depende do contexto]
Defeituoso, deformado, doente, doentinho, doente mentalPessoa com deficiência
Escola normalEscola regular
Guerreiro (a)[depende do contexto]
Incapacitado, Inválido, Inútil, IdiotaPessoa com deficiência
Língua dos sinais, linguagem de sinaisLíngua de Sinais ou Libras (sempre com L maiúsculo)
ManetaPessoa com deficiência física
MancoPessoa com deficiência física
Mongol ou mongolóidePessoa com síndrome de Down
MudinhoSe estiver se referindo a uma pessoa surda, usar pessoa surda ou pessoa com deficiência auditiva.
NormalPessoa sem deficiência
Necessidades especiaisPessoa com deficiência
PernetaPessoa com deficiência física
Pessoa normalPessoa sem deficiência
Portador de deficiência ou Portador de necessidades especiaisPessoa com deficiência
Retardado mentalPessoa com deficiência
Surdo-mudoSurdo, pessoa surda, pessoa com deficiência auditiva


Por que não usar estes termos

“Portador de deficiência”, “Portador de necessidades especiais”: É errado porque ambos dão a entender que a deficiência é algo que se pode carregar ou não de acordo com a vontade da pessoa. 

O que usar para substituir: Pessoa com deficiência.

Aleijado”, “Perneta”, “Manco”, “Maneta”: É errado porque reforça a ideia de que ter uma deficiência é um defeito ou uma coisa ruim .

O que usar para substituir: Pessoa com deficiência, pessoa com deficiência física.

“Surdo-mudo”, “Mudinho”: É errado porque a surdez não causa nenhum prejuízo ao aparelho fonador. Uma pessoa com deficiência auditiva pode ser oralizada sem problema algum.  Existem, sim, pessoas com deficiências múltiplas – duas ou mais deficiências ao mesmo tempo -, mas não significa que uma é causa da outra.

O que usar para substituir: Surdo, pessoa surda, pessoa com deficiência auditiva.

“Mongol”, “Mongoloide”, “Retardado mental”: É errado porque o termo é usado para ofender pessoas chamando-as de “idiotas”, “babacas” e dá a entender que deficiência intelectual é sinônimo de falta de inteligência.

O que usar para substituir: Pessoa com deficiência, pessoa com deficiência intelectual.

É importante também que pessoas com deficiência parem de ser chamadas de “coitadas” porque elas não são e não querem ser vistas como infelizes ou vítimas de sofrimento, e que a palavra “deficiência” pare de ser usada como sinônimo de “falta” (deficiência de vitamina, deficiência de nutrientes, etc) e antônimo de eficiência.

Falta de vitaminas ou nutrientes não é algo bom para o organismo. Quando se relaciona algo ruim com deficiência, mesmo inconscientemente, está sendo reafirmado que ter uma deficiência também é ruim. E isso não é verdade. Muito menos o oposto de eficiência. O contrário de eficiência é ineficiência.

Além de mudar o seu jeito de pensar e falar, converse sobre o assunto e estimule as pessoas ao seu redor a mudarem também.  

A gente sabe que desconstruir preconceitos disfarçados de “brincadeiras” é difícil. Não é do dia para a noite que a gente vai acabar com algo que está enraizado no inconsciente da sociedade. Mas mostrar para todos que estes termos são ofensivos e que continuar a usá-los só propaga o preconceito contra as pessoas com deficiência é o primeiro passo.

Se surgir uma situação em que você fique em dúvida de como se dirigir a uma pessoa com deficiência, ao invés de usar um termo capacitista chame-a pelo nome, que não tem erro.

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