A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou nesta terça-feira (18) um projeto de lei que tipifica no Código Penal o crime de homicídio vicário, com pena de 20 a 40 anos de prisão. A proposta será enviada ao Senado
O homicídio vicário é caracterizado quando filhos ou outros familiares são assassinados com o objetivo de causar sofrimento, punição ou controle sobre uma mulher, geralmente em contexto de violência doméstica e familiar.
Texto define quando crime será aplicado
O projeto (PL 3880/24) é de autoria das deputadas Laura Carneiro, Fernanda Melchionna e Maria do Rosário, e foi aprovado com substitutivo da relatora Silvye Alves.
De acordo com o texto, o crime será caracterizado quando for cometido contra:
- descendentes (como filhos)
- ascendentes (como pais)
- dependentes
- enteados
- pessoas sob guarda ou responsabilidade direta da mulher
Pena pode ser aumentada em algumas situações
A proposta prevê aumento de pena de um terço até a metade quando o crime for cometido:
- na presença da mulher que se pretende atingir;
- contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência;
- em descumprimento de medida protetiva de urgência.
Crime será considerado hediondo
O texto também classifica o homicídio vicário como crime hediondo, o que implica regras mais rígidas para cumprimento de pena.
Nesses casos, o condenado não poderá:
- obter fiança;
- receber anistia, graça ou indulto;
Além disso, terá que cumprir mais tempo em regime fechado antes de progredir de regime.
Projeto altera Lei Maria da Penha
A proposta também inclui o conceito de violência vicária na Lei Maria da Penha.
Com isso, outras formas de violência contra familiares — mesmo sem morte, como agressões físicas ou psicológicas — poderão ser enquadradas como violência doméstica, quando tiverem como objetivo atingir a mulher.
Relatora destaca gravidade do crime
A relatora Silvye Alves afirmou que a proposta busca dar visibilidade a esse tipo de violência.
Segundo ela, a violência vicária é uma das formas mais cruéis e ainda pouco notificadas no país.
Debate no plenário
Durante a discussão, o deputado Carlos Jordy criticou o texto, afirmando que ele não prevê punição para mulheres que cometam esse tipo de crime.
Já a deputada Jack Rocha defendeu a proposta, destacando que esse tipo de violência está diretamente ligado à violência contra a mulher.
A deputada Sâmia Bomfim afirmou que há semelhança entre o projeto e a legislação do feminicídio, com recorte de gênero.
Próximos passos
Após aprovação na Câmara, o projeto segue para análise do Senado. Se aprovado, será encaminhado para sanção presidencial e poderá virar lei.
Da Agência Câmara Brasil

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